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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Requeixo


O MEP Aveiro visitou, no passado sábado, a Freguesia de Requeixo em campanha para as eleições autárquicas, procurando ouvir a população, assim como divulgar a sua mensagem, explicando por que razão se candidata apenas à Assembleia Municipal.
Esta freguesia algo periférica e, à semelhança de outras, bastante esquecida do poder autárquico, já foi a maior do Concelho de Aveiro, em tempos bem antigos. Depois deu-se a separação dos lugares de Fermentelos (1738, que actualmente pertence ao Concelho de Águeda) e Nossa Senhora de Fátima (1960), o que fez "encolher" bastante.

O Carlos Teixeira, que conhece bem aquela zona, levou-nos a ver a magnífica Ponte de Requeixo, que podemos ver na fotografia acima, e a forma como as águas do Rio Cértima e da Pateira de Requeixo se encontram assoreadas pelos jacintos de água (Eichornia crassipes), uma planta infestante, originária da Amazónia. Esta infestante, por conseguir vantagens competitivas com as plantas autóctones, acaba por dominar. Os problemas resultantes da sua presença são variados, nomeadamente por dificultarem a realização da fotossíntese de outras plantas e fitoplâncton (efeito de sombra), por provocarem a alteração físico-química das águas, por reduzirem a presença de oxigénio na água (colocando em risco a diversidade de peixes existente) e por diminuírem a navegabilidade, impedindo, por exemplo, a prática de desportos aquáticos, que podiam ser uma marca distintiva do concelho.
Os elementos do MEP Aveiro que ali se deslocaram em conversa com transeuntes que falavam do cimo da ponte.

Há uns anos deu-se uma enorme polémica, nomeadamente por se ter notado que os jacintos estavam a infestar toda a Pateira de Fermentelos e até já apareciam no Rio Vouga, desde Óis da Ribeira até Cacia. As limpezas têm ficado muito aquém do necessário. Basta ver a notícia de Março deste ano que dava como limpa a Pateira de Requeixo e ver as fotografias tiradas no local no passado sábado.

Como dizia a Celina Rodrigues, «o cenário até é bonito, as plantas são bonitas, é pena é que sejam tão prejudiciais para o habitat local».
A Ponte de Requeixo, de uma beleza notável, está bem cuidada, apresentando-se pintada de fresco. Uma pessoa que entretanto apareceu logo sublinhou, a propósito, que era bom que houvesse eleições todos os anos. O diagnóstico feito não foi muito diferente do que temos vindo a ouvir noutras freguesias, especialmente nas mais periféricas ou ditas "rurais". O espaço público está mal cuidado ou mesmo desleixado, não há informação disponível sobre os locais (o que devia acontecer pelo menos em duas línguas, português e inglês). O desenvolvimento do concelho de Aveiro também se vê nestas coisas. Para promover Aveiro como destino turístico é preciso olhar para o concelho todo e não apenas para o centro da cidade. O concelho é rico em paisagens de enorme beleza natural, pelo que seria um enorme erro não pensar a sua promoção com base numa visão global, que qualifique estes espaços.

Junto à Pateira de Requeixo, num local excepcional para o lazer, há uma pequena infraestrutura que serve de apoio, com um palco e zona de abrigo, com churrasqueira e quartos-de-banho, tudo em muito más condições. O espaço e as gentes de Requeixo mereciam bem melhor. O concelho todo teria muito a ganhar com uma requalificação daquele lugar, que bem podia tornar-se em mais um motivo de atracção turística.




À partida ainda deu para observar algumas belíssimas casas que tiveram o seu apogeu noutros tempos. Agora, sendo, de certa forma, espelho da deterioração e do esquecimento a que se chegou, são também, pela nostalgia que afirmam, motivos inspiradores para a construção de um futuro melhor.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

São Jacinto


O MEP Aveiro visitou, hoje durante a tarde, a Freguesia de São Jacinto em campanha para as eleições autárquicas, procurando ouvir a população, assim como divulgar a sua mensagem, explicando por que razão se candidata à Assembleia Municipal.

Na viagem de lancha para S. Jacinto fomos com a companhia dos nossos amigos do PCP, que também lá foram em campanha para as autárquicas.

O Alexandre pensativo. A Celina e o Carlos Teixeira em animada cavaqueira.

A nossa bandeira nacional, sempre bela, em qualquer parte. O pior são as assimetrias que se verificam no concelho de Aveiro, um pouco o espelho das assimetrias nacionais. S. Jacinto parece bastante esquecida da autarquia. A freguesia que tem as únicas praias do concelho, o que representa, aparentemente, um enorme potencial. Mas nada se passa, não há infraestruturas mínimas, as ruas estão sujas, não há o devido cuidado com o espaço público. Muito mau para ser verdade. As pessoas todas pagam impostos, mas nem todas recebem o mínimo de retorno do seu esforço de uma vida. Parece que existem pessoas de primeira e pessoas de segunda.

Em todo o lado, mesmo nos lugares mais esquecidos e empobrecidos, há beleza, nos pormenores, nas cores, nas texturas.
E é nos pormenores que está o problema: pequenas diferenças poderiam fazer uma grande mudança nas condições de vida das pessoas que vivem em São Jacinto. Pequenas melhorias, atenção rigorosa aos pormenores. Pelo menos as infraestruturas básicas.

A Igreja de Nossa Senhora das Areias, com um belo painel de azulejos/mosaicos. E, São Jacinto há a Rua do Sol, que, por acaso, hoje não apareceu. Em vez disso, uma torrencial chuvada, que nos deixou todos molhados. A campanha não é fácil.

Para além da Igreja de Nossa Senhora das Areias - na foto acima vemos a Celina, o Carlos e o Simão à entrada -, São Jacinto é conhecida pela existência da Base Aérea, da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto e das únicas praias do concelho de Aveiro.
Os populares com quem falámos sublinharam a falta de investimento da Câmara em São Jacinto. Com mais algum esforço seria possível ter muito mais gente a visitar a terra, a vir à praia, e a gastar algum dinheiro por ali. Queixam-se de não haver actividades culturais, que nem as chamadas festas tradicionais têm grande apoio. Alguns chegam mesmo a dizer que talvez fosse melhor passar para o Concelho da Murtosa.

A beleza nos pormenores, nas cores, nas texturas, mais uma vez. É preciso, também na política, olhar para o pormenor que faz toda a diferença. Um olhar humano, próximo das pessoas, dos lugares. Podemos ser pobres, é certo, mas, mesmo assim, nada nos desculpa a desorganização, a falta de limpeza, o desleixe, as obras que deixam as pedras levantadas nos passeios, montes de entulho esquecidos. Se não formos capazes de melhorar a paisagem, sobretudo a paisagem intervencionada pelo homem, não seremos capazes de chamar pessoas, turistas. Não seremos capazes de proteger o que é nosso e de o promover, para bem-estar de quem aqui vive e trabalha, mas também dos forasteiros, que aqui podem deixar dinheiro, riqueza. E, sem riqueza, não podemos proporcionar melhores condições de vida para todos. Não podemos ter futuro.

Um amontoado de cacos e entulho mesmo nas traseiras da Junta de Freguesia. Não contribui em nada para a qualidade da paisagem. Um cenário que se repete frequentemente pelas ruas da freguesia, desta e das outras no concelho. Um campo de futebol ao ar livre, cujas redes estão já bastante danificadas. Tem o ar de estar quase abandonado. Às vezes, por um bocadinho mais de esforço, ficamos aquém de fazer bem as coisas.

Espaços por arranjar e cuidar convenientemente, a feira que deixa as ruas todas sujas. Não há caixotes de lixo, não há indicações claras aos feirantes que nada pode ficar por ali, ao vento, sujando as ruas.
Na zona de chegada das lanchas e do Ferry não há o mínimo de condições para os viajantes. Hoje choveu a cântaros e as pessoas estavam à chuva para entrar no barco - uma vergonha. Ao mesmo tempo, não há indicações claras sobre os pontos de interesse na Freguesia: as praias, a Igreja, a Base, a Reserva, entre outros, nomeadamente sobre as possíveis paragens gastronómicas. Custaria assim tanto ter disponível, em painéis de qualidade, uma informação "turística" bilingue (português/inglês)?
O nosso outdoor em São Jacinto. É pequeno, porque não há dinheiro para mais, mas está bem colocado, mesmo na zona de entrada da base aérea de S. Jacinto.
A viagem para Aveiro foi surreal. Viajámos, novamente com os nossos parceiros do PCP, no ferry, pois os bilhetes da lancha servem para o gasto. A coisa é feita de pé, com pouca ou nenhuma cobertura e comodidade, pelo que o dilúvio que se abateu sobre a Ria nos deixou completamente ensopados. Quem disse que a política é fácil?

Eixo


O MEP Aveiro visitou no sábado passado a Freguesia de Eixo (Concelho de Aveiro), com o objectivo de divulgar a sua candidatura à Assembleia Municipal e de ouvir a população. Nesta visita, o grupo teve a oportunidade de assistir, por breves momentos, a um convívio muito interessante e animado: a "Festa dos amigos do Sousa".
O convívio dos amigos do Sousa reuniu no Parque da Balsa, em Eixo, cerca de 200 pessoas, animadas por uma banda local de grande qualidade, onde o Sousa é baixista. Deve ser boa pessoa, a avaliar pela quantidade de amigos de todo o país que conseguiu juntar.

O Parque da Balsa é um local muito aprazível, excelente para convívios deste tipo, mas também familiares. As infraestruturas são mínimas e o parque poderia estar melhor qualificado, tornando-se atractivo para pessoas das redondezas e turistas. Trata-se de um local muito agradável, onde a natureza pode proporcionar, com as devidas condições, momentos de descanso e de paz. Também poderia ser um local excepcional para concertos musicais, como a festa em causa prova, ou outros eventos culturais. Era preciso, entre outras coisas, um palco mais adequado, quartos-de-banho de qualidade e asseados (o que não vimos).
Eixo tem um grande dinamismo associativo, sobretudo de índole cultural e desportiva, o que só por si merecia um maior apoio e melhores infraestruturas.
Atente-se nas excelentes condições naturais e, ao mesmo tempo, na falta de cuidado e limpeza. Junto à linha do vouguinha, na passagem de nível, lixo espalhado pelo chão. Algo que não nos podemos permitir no século XXI, se queremos ter melhores condições de vida, se queremos ter turismo e retirar da beleza da nossa terra maior riqueza.
E se a nossa terra deu a Portugal gente de valor, não basta colocar os seus nomes nas ruas. Isso é positivo, mas é pouco. Devia estar naquele mesmo local uma descrição bilingue do valor e dos feitos da pessoa em causa, para turistas, e para naturais. Só conhecendo o nosso passado poderemos construir o nosso futuro. Os jovens do concelho precisam também de ter essa informação sobre locais históricos e pessoas de relevo, da sua terra, para que se conheçam melhor e tenham orgulho no que são.
Elementos do MEP em conversa com a população. Uma conversa sobre os problemas da terra, mas sobretudo sobre amigos, fraternidade. Histórias de outros tempos, quando se imigrava muito para a Venezuela e para os Estados Unidos da América. O Carlos Teixeira, que é treinador de basebol na Universidade de Aveiro, encontrou logo dois apreciadores da modalidade.
Depois de uma troca de impressões sobre política e sobre o objectivo de eleger alguém para a Assembleia Municipal que esteja próximo das pessoas, das populações, livre para defender os seus anseios e fazer propostas construtivas, acima dos interesses partidários, pudemos ver um balde cheio de magníficos peixes, fruto de uma pescaria, à linha, na Costa Nova, junto ao Clube de Vela. Não ficámos para o almoço, pois eram horas de partir para Requeixo, onde nos esperava mais um encontro com a população local.
Nestas visitas, o azulejo é uma constante, ou não fosse esta uma terra de grande tradição na azulejaria. O azulejo, sobretudo a sua utilização em fachadas, poderia constituir mais um motivo de atracção para turistas. Podia mesmo existir um percurso turístico organizado, devidamente estruturado, com um guia de apoio aos visitantes.